“O barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário.” (Mt 14. 24)
É maravilhoso iniciar uma nova jornada e tomar um novo rumo. As esperanças se renovam e o nosso coração se abre para a certeza do sucesso.
Lembro-me do meu primeiro dia de aula na faculdade. As coisas seriam diferentes, e eu sabia disto; o caderno novo em branco, as canetas recém compradas, o vade mecum pronto para ser manuseado pelo mais novo “jurista”. Lembrando, era meu primeiro dia de aula, a já podia me ver com o diploma não mão solucionando casos misteriosos, redigindo petições, analisando processos; via-me como um legítimo advogado. Nem pensava no detalhe de que, do inicio até o fim, existe um meio. E este, não é composto apenas de alegrias e batalhas vitoriosas. Havia uma luta a ser travada. Obstáculos ainda precisavam ser transpassados até findar a minha jornada acadêmica.
O mesmo acontece com a maioria quando planos novos surgem. Estamos tão envolvidos com a vitória a ser alcançada que nos esquecemos o quanto pode ser suado esse trajeto. Assim, muitas vezes acaba acontecendo aquilo que todos temem: a Frustração. O pior deste sentimento é que faz parecer que tudo acabou e aquilo planejado não poderá cumprir-se mais. Li uma vez alguns relatos de pessoas com AIDS que explicam que, por mais que saibam que é possível conviver com o vírus durante décadas, e até viver uma vida normal, na medida do possível, o sentimento no instante em que recebem a noticia de que são portadoras do vírus é de que se está prestes a morrer. A jornada com Deus, realmente não é uma jornada fácil. E se te disser que quando você recebe a Deus em sua vida, a garantia da solução dos seus problemas está inserida, estaria mentindo. Hoje em dia, o que se vê em muitas igrejas é um “evangelho” de soluções. E Jesus nunca prometeu isso aos que o aceitassem, pelo contrário, avisou que “no mundo tereis aflições” (Jo 16.33), e continua, “mas tende bom animo, Eu venci o mundo”.
Em Deuteronômio 11: 11-12 está escrito: “Mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas; terra de que o Senhor, teu Deus, tem cuidado; os olhos do Senhor, teu Deus, estão sobre ela continuamente, desde o princípio até ao fim do ano”
Estamos hoje, amados leitor às portas do desconhecido. Diante de nós estende-se um caminho novo; vamos conquistá-lo a cada dia. Quem poderá dizer o que teremos pela frente? Que mudanças virão, que novas experiências, que necessidades? Mas aqui está a mensagem de nosso Pai celeste – mensagem de animo, de conforto, de contentamento: “... os olhos do Senhor vosso Deus estão sobre ela continuamente, desde o princípio até o fim do ano.”
Sim, do Senhor vem toda nossa provisão. Nele encontramos a fonte que nunca seca; mananciais e ribeiros que jamais se estancarão. Em Cristo está a promessa cheia da graça que nos vem do Pai. E se ele è a fonte das misericórdias, nunca nos faltará misericórdia. Nem calor nem seca poderão pôr fim àquele rio, “cujas correntes alegram a Cidade de Deus”.
A terra está cheia de montes e de vales. Não são só planícies, nem só declives. Se a vida fosse sempre a mesma, ficaríamos oprimidos com a sua monotonia: nós precisamos dos montes e dos vales. Os montes recolhem as chuvas para centenas de vales frutíferos. Assim acontece também conosco: é o monte da dificuldade que nos eleva ao trono da graça e nos traz de volta com chuvas bênçãos.
Os montes, esses montes ásperos da vida, diante dos quais nos espantamos e contra os quais às vezes murmuramos, eles nos trazem águas. Quantos têm padecido no deserto, quando poderiam ter vivido e prosperado em terra montanhosa! Um servo de Deus não é alegre porque não tem problemas, mas porque tem em sua vida alguém que pode resolvê-los, e é Neste que ele se alegra; com problemas ou sem problemas. "Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos nos fato de serdes participantes das afliçoes de Cristo, para que também na revelaçao da sua glólria vos regozijeis e alegreis." (1Pe 4.12,13)


