quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quando chega a Tempestade.




“O barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário.” (Mt 14. 24)




            É maravilhoso iniciar uma nova jornada e tomar um novo rumo. As esperanças se renovam e o nosso coração se abre para a certeza do sucesso.
            Lembro-me do meu primeiro dia de aula na faculdade. As coisas seriam diferentes, e eu sabia disto; o caderno novo em branco, as canetas recém compradas, o vade mecum pronto para ser manuseado pelo mais novo “jurista”. Lembrando, era meu primeiro dia de aula, a já podia me ver com o diploma não mão solucionando casos misteriosos, redigindo petições, analisando processos; via-me como um legítimo advogado. Nem pensava no detalhe de que, do inicio até o fim, existe um meio. E este, não é composto apenas de alegrias e batalhas vitoriosas. Havia uma luta a ser travada. Obstáculos ainda precisavam ser transpassados até findar a minha jornada acadêmica.
            O mesmo acontece com a maioria quando planos novos surgem. Estamos tão envolvidos com a vitória a ser alcançada que nos esquecemos o quanto pode ser suado esse trajeto. Assim, muitas vezes acaba acontecendo aquilo que todos temem: a Frustração. O pior deste sentimento é que faz parecer que tudo acabou e aquilo planejado não poderá cumprir-se mais. Li uma vez alguns relatos de pessoas com AIDS que explicam que, por mais que saibam que é possível conviver com o vírus durante décadas, e até viver uma vida normal, na medida do possível, o sentimento no instante em que recebem a noticia de que são portadoras do vírus é de que se está prestes a morrer.
            A jornada com Deus, realmente não é uma jornada fácil. E se te disser que quando você recebe a Deus em sua vida, a garantia da solução dos seus problemas está inserida, estaria mentindo. Hoje em dia, o que se vê em muitas igrejas é um “evangelho” de soluções. E Jesus nunca prometeu isso aos que o aceitassem, pelo contrário, avisou que “no mundo tereis aflições” (Jo 16.33), e continua, “mas tende bom animo, Eu venci o mundo”.
            Em Deuteronômio 11: 11-12 está escrito: “Mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas; terra de que o Senhor, teu Deus, tem cuidado; os olhos do Senhor, teu Deus, estão sobre ela continuamente, desde o princípio até ao fim do ano”
            Estamos hoje, amados leitor às portas do desconhecido. Diante de nós estende-se um caminho novo; vamos conquistá-lo a cada dia. Quem poderá dizer o que teremos pela frente? Que mudanças virão, que novas experiências, que necessidades? Mas aqui está a mensagem de nosso Pai celeste – mensagem de animo, de conforto, de contentamento: “... os olhos do Senhor vosso Deus estão sobre ela continuamente, desde o princípio até o fim do ano.”
            Sim, do Senhor vem toda nossa provisão. Nele encontramos a fonte que nunca seca; mananciais e ribeiros que jamais se estancarão. Em Cristo está a promessa cheia da graça que nos vem do Pai. E se ele è a fonte das misericórdias, nunca nos faltará misericórdia. Nem calor nem seca poderão pôr fim àquele rio, “cujas correntes alegram a Cidade de Deus”.
            A terra está cheia de montes e de vales. Não são só planícies, nem só declives. Se a vida fosse sempre a mesma, ficaríamos oprimidos com a sua monotonia: nós precisamos dos montes e dos vales. Os montes recolhem as chuvas para centenas de vales frutíferos. Assim acontece também conosco: é o monte da dificuldade que nos eleva ao trono da graça e nos traz de volta com chuvas bênçãos.
            Os montes, esses montes ásperos da vida, diante dos quais nos espantamos e contra os quais às vezes murmuramos, eles nos trazem águas. Quantos têm padecido no deserto, quando poderiam ter vivido e prosperado em terra montanhosa!   Um servo de Deus não é alegre porque não tem problemas, mas porque tem em sua vida alguém que pode resolvê-los, e é Neste que ele se alegra; com problemas ou sem problemas. 


"Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos nos fato de serdes participantes das afliçoes de Cristo, para que também na revelaçao da sua glólria vos regozijeis e alegreis." (1Pe 4.12,13)







Um comentário:

  1. Ronan, estou perplexa diante do seu post... Você realmente é um vaso menino! De fato, suportar a "tempestade" ou o "deserto" não é nada fácil, aliás, quem é que nunca está vivenciando uma situação semelhante a essas? Confesso que antigamente eu orava pro Senhor me livrar, me fazer sair do vale afinal ele era quase que interminável e eu tão fraquinha... Mas com o tempo passei a perceber que por mais difícil que fosse eu precisava passar pra adquirir experiência, pra crescer! Passei a orar de forma diferente, orei então pra que Deus não me livrasse do vale mas me ensinasse a andar por ele, me mostrasse quais as lições a ser aprendidas ali... Sabe como é né, em tudo há um propósito! Aprendi! Não vou te dizer que amo passar por uma dificuldade, mas digo que hoje em dia elas já não me assustam tanto, pois como você mesmo disse: "Um servo de Deus não é alegre porque não tem problemas, mas porque tem em sua vida alguém que pode resolvê-los, e é Neste que ele se alegra; com problemas ou sem problemas."

    Deus te abençoe Ronito!
    Fica com Ele!

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